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terça-feira, 25 de setembro de 2012

Presidente da TWB diz que não investe mais 1 centavo na Bahia

"Temos outros projetos que queríamos realizar na Bahia, mas foram completamente abortados", disse sobre a desconfiança com relação ao governo do Estado


Perla Ribeiro e Linda Bezerra



Presidente da TWB levanta a âncora

Após cinco dias de silêncio, desde o início da intervenção do governo estadual na TWB, o diretor presidente da empresa, Reinaldo Pinto dos Santos, concedeu uma entrevista exclusiva ao CORREIO, em que explica o que ocorreu nos últimos seis anos, período em que a TWB esteve à frente da administração do sistema ferry-boat.
Além de detalhar investimentos, dívidas e prejuízos, o diretor revelou as controvérsias existentes no relacionamento entre a empresa e o governo estadual. Segundo o empresário, seu maior erro foi ter “confiado demais nas pessoas”.

O maior erro do governo
“O mais grave de tudo foi o fato de o governo nunca ter cumprido a cláusula dos reajustes de tarifas. No contrato, a regra era que a cada 12 meses houvesse recomposição tarifária pelo IGPM. Isso deveria acontecer a cada fevereiro, automaticamente. Em seis anos, a tarifa só foi reajustada três vezes. Neste momento, o sistema está há 38 meses sem reajuste. A tarifa do pedestre, para estar atualizada seria aproximadamente de R$ 5, e atualmente está em R$ 4,10. Tem também o fato de não ter recuperado as estruturas subaquáticas. No contrato previa também que nós receberíamos um terreno na Ribeira para conserto das embarcações. O governo nos tirou esse terreno e disse que daria um em Bom Despacho e mais R$ 4 milhões para a compra de equipamentos, mas nunca deu. Para nós, ir para a Base Naval reparar uma embarcação, um dia parado lá custa R$ 20 mil”.

Prejuízo
“Não teve nenhum período, desde o primeiro ano, que a gente tenha fechado no azul. O cálculo do prejuízo não é da TWB, é da Fipe e a FIA, a Faculdade de Administração da USP. Elas calcularam um desequilíbrio de R$ 196,3 milhões. Não é que a TWB está cobrando R$ 196 milhões do governo. Isso é o desequilíbrio calculado pela Fipe até junho deste ano. Estamos cobrando esse valor? Não. Não é assim que funciona. Isso já faz 60 dias aproximadamente, nós entramos na Justiça, dada a situação caótica criada pelo governo numa tentativa de asfixia do sistema, com um pedido de rescisão do contrato. Isso é o que as pessoas não estão divulgando. Neste pedido de rescisão, nós apresentamos o estudo da Fipe. A Agerba fez outro estudo com a Fipecafi, que também é uma instituição respeitada, que mostra números díspares. O que eu imagino que o juiz vai fazer é nomear o perito para avaliar o que é certo e o que não é”.

Investimentos
“Eu vi publicado por aí declaração da Agerba de que a TWB só investiu R$ 24 mil. Eu gostaria de saber: fizemos um investimento em dois ferries, que custam aproximadamente R$ 80 milhões – o Ivete custou R$ 35 milhões, o Ana Nery custou R$ 40 milhões - mais as estruturas. Tinha uma previsão de, em 25 anos de contrato, investir cerca de R$ 100 milhões. A Agerba está confundindo os conceitos de capital social, capital de investimento e capital de giro. O contrato exigia que eu fizesse no mínimo um capital social de R$ 6 milhões. Peguei bens da empresa, avaliados em cerca de R$ 5, 9 milhões. Faltavam R$ 24 mil para 6 milhões? Então ok: toma um cheque aí de R$ 24 mil. Hoje, esse capital, que começou com R$ 6 milhões, é de R$ 32 milhões: R$ 31 milhões e alguma coisa em bens e R$ 24 mil em dinheiro.Cada gaveta de atracação do Ivete Sangalo e do Ana Nery custou aproximadamente R$ 8 milhões. Cada embarcação custou cerca de R$ 40 milhões, mais o sistema de bilhetagem, mais as catracas. Em todo o sistema, nós temos um investimento de cerca de R$ 110 milhões”.

A intervenção
“Estou buscando entender as verdadeiras razões da intervenção. Isso certamente vai trazer um prejuízo ao Estado e à própria população. O Estado tem que se preocupar em honrar seus contratos. Acho importante que outros empresários conheçam a realidade do que ocorreu. Embora queiram construir uma imagem para que a empresa saia como vilã, a verdade surgirá. Se eu tivesse um amigo que quisesse investir na Bahia, recomendaria que não o fizesse, pelo menos até que o governo dê provas de que cumpre o que escreve. O governo que está aí demonstrou que não tem essa disposição. Não coloco mais um centavo. Temos outros projetos que queríamos realizar aqui na Bahia, mas foram completamente abortados”.

Internacional marítima
Se o governo abrir seus cofres, como parece que está disposto a fazer, qualquer um consegue operar bem. O contribuinte vai pagar. Outro factoide que está se construindo é que eles dizem que a Internacional Marítima vai assumir com a mesma receita da TWB. Eles deixaram, durante seis anos, de remunerar o investimento da TWB. Isso acumulou um ônus de R$ 54 milhões. Eles deixaram de repassar as tarifas, isso está estimado em R$ 26 milhões. Isso eu carrego nas minhas costas. Além de remunerar, tenho que amortizar os investimentos. Isso me custa anualmente, R$ 10 milhões. Aí, como no passe de mágica, tiram a TWB e não amortiza mais. Diz: isso aqui eu não vou pagar mais. Eles não vão ter ônus nenhum, só vão receber em cima do que o outro fez”.

Erros da TWB
“A TWB errou em não avaliar o risco político do contrato. A força do poder público é muito grande. Um exemplo prático: no ano passado, terminamos com um prejuízo de R$ 17 milhões. Ao final do ano, sentamos com Otto Alencar (secretário de Infraestrutura e vice-governador), preocupados com o Verão. Eu relatei a necessidade de que o sistema fosse reequilibrado. Ele me disse o seguinte: ‘Tudo aquilo que for de direito da TWB, especialmente na questão das tarifas, nós iremos dar, desde que a TWB garanta a operação de seis ferries no Verão. Dê seu jeito, me garanta a operação de seis ferries’. Acreditei. Vendi por R$ 1,5 milhão minha casa em São Paulo - tenho a escritura - e coloquei o dinheiro 100% na conta da TWB. Conseguimos garantir não seis ferries, mas sete ferries. A nossa expectativa era de que o governo também honrasse o compromisso, desse o reajuste, fizesse o investimento, desse o terreno em Bom Despacho. Se fizesse, o sistema não entraria em colapso. Qual foi o retorno que tivemos, diante do esforço realizado? Multas”.

Multas
“Essa dívida de R$ 9 a R$ 10 milhões poderá existir depois do julgamento de todas as multas, o que não ocorreu ainda. Mas a maioria delas é ilegal, de acordo com o contrato. Na nossa proposta, temos uma grade de horário de 28 partidas/dia. Do nada, há 2 anos, o governo disse: a partir de hoje, eu quero que você faça 38 partidas/dia. Já carregávamos uma taxa de ociosidade de 45%. Quando começamos a fazer 38, essa taxa subiu para 58%. Vou viajar muito mais e transportar a mesma quantidade de gente. Isso quer dizer que o custo fixo se elevou. O governo pode fazer isso, desde que haja - a lei é muito clara sobre isso - reequilíbrio do sistema. ‘Queremos que você faça 50 viagens’. Ok, calcula quanto dá. Se dá R$ 100 mil, ou aumenta a tarifa ou dá esses R$ 100 mil de contrapartida. Ele não deu absolutamente nada de contrapartida”.

Matéria original Correio 24h

Presidente da TWB diz que não investe mais 1 centavo na Bahia







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