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segunda-feira, 19 de agosto de 2013

O culto de Caim e Abel

Por Eliseu Antonio Gomes

Ontem, lia a Bíblia Sagrada para embasar uma reflexão para o assunto “ordem familiar”, de referência para referência, cheguei ao substantivo feminino “acepção” em Romanos 2.11.  

“Porque, para com Deus, não há acepção de pessoas” - Romanos 2.11 Devido ao “porque” no versículo, quis aprofundar mais, precisava ler o contexto próximo, e li todo o capítulo, com a intenção de procurar um elo entre o que escrevia e aquele texto bíblico. O conteúdo em volta aborda como Deus tratará gente boa e gente ruim no Dia do Julgamento Final. Os maus prestarão contas por ações maldosas e os bons serão recompensados por desprezarem estratégias de maldade. 

Como blogueiro evangélico, com a expansão do Belverede em quase sete anos publicando dissertações com teor bíblico, sem intenção alguma conquistei um espaço amplo no campo virtual, que não possui fronteiras. Pessoas de muitas partes do Brasil, e países no exterior se tornaram leitoras e me procuram ansiosas por um “ouvido online” para desabafar, solicitam conselho bíblico, pedem minha opinião. Enquanto escrevia o artigo, tive contato por chat com uma jovem senhora aparentemente angustiada, falava sobre perseguição de irmãos da igreja contra seu marido pastor. Dizia que uma difamação, propagada como fogo na floresta, estava desanimando-o ao ponto dele não mais sentir vontade de congregar. Falava que na manhã do dia seguinte ele alimentava o desejo de tomar satisfações com os responsáveis envolvidos naquela acusação falsa.

Associei a situação dessa pessoa com o assunto que estava em minha mente, em processo de desenvolvimento para a forma escrita.

Ninguém é cem por cento bom e nem de todo mau. Cada um de nós traz dentro de si uma guerra da carne contra o espírito / Espírito. Nessa luta interna, quando o instinto da natureza humana prevalece deixamos de ser agentes de Deus para agir por vontade própria. Também somos abordados por outras pessoas, agentes da vontade meramente terrena e não da vontade divina.

"Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum; e, com efeito, o querer está em mim, mas não consigo realizar o bem. Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero esse faço. Ora, se eu faço o que não quero, já o não faço eu, mas o pecado que habita em mim" - Romanos 7.18-20.

Quando nos sentimos equivocadamente injustiçados, ou somos alvos da maldade alheia, estamos sofrendo perseguição, a tentação de revidar a maldade com maldade é enorme, a carne grita dentro de nós e quer tomar o posto do espirito. E há vezes que não vigiamos e deixamos o "eu" dirigir as nossas vidas. O que fazer? Ser vigilante, como motorista no trânsito que é cauteloso observando sua direção e como os outros dirigem. Com cautela, chega-se ao destino final sem colisão na estrada.

Repare no culto de Caim: "Mas para Caim e para a sua oferta [Deus] não atentou. E irou-se Caim fortemente, e descaiu-lhe o semblante. E o Senhor disse a Caim: Por que te iraste? E por que descaiu o teu semblante? Se bem fizeres, não é certo que serás aceito? E se não fizeres bem, o pecado jaz à porta, e sobre ti será o seu desejo, mas sobre ele deves dominar" - Gênesis 4.5-7.

Certa vez determinada pessoa disse: "As armas não matam pessoas, pessoas matam pessoas". 







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"Não, não tenho instinto para matar!" - algum frequentador de templos poderá dizer tentando justificar o aborrecimento que comete, a maledicência nas rodinhas da igreja, as calúnias por toda parte contra o outro. Para este, apresento algo que talvez ele não conheça o quanto deveria conhecer, o Novo Testamento: "Qualquer que odeia a seu irmão é homicida. E vós sabeis que nenhum homicida tem a vida eterna permanecendo nele" - 1 João 3.15. Para Deus, não é necessário partir para a violência física, o simples fato de desprezar e hostilizar o outro, por quem Jesus também morreu, é considerado assassinato. Eu recomendo ao frequentador de templo, se não tem o objetivo de mudar seu comportamento (ratifico: se não pensa em mudar), leia Apocalipse 22.11 e depois pense em ficar em casa dormindo nos horários de culto porque tudo que faz na igreja durante a reunião, liturgicamente, é desperdício de tempo, não está sendo aprovado por Deus, são ações rejeitadas iguais as ofertas de Caim. Não volte mais para a igreja. Quer mudar? Ótimo, continue lendo.

Paulo foi perseguidor de cristãos antes de assumir seu ministério, sem que entendesse que ao fazer isso também perseguia Jesus Cristo (Atos 9.5; 26.14).

Quem faz o mal contra você? Deus sabe quem é. "Ninguém oprima ou engane a seu irmão em negócio algum, porque o Senhor é vingador de todas estas coisas, como também antes vo-lo dissemos e testificamos" - 1 Tessalonicenses 4.6.

Jesus morreu por todos, por este motivo manda que amemos até os nossos inimigos, aqueles que nos vê como inimigos deles e não nos tratam bem. Então, ame-os, se eles forem irreconciliáveis terão um encontro com Aquele que não se deixa escarnecer (Gálatas 6.7).

Em momentos de conflitos, é importante conversar com Deus sobre a situação. Como pessoas cristãs, colocar-se na posição de Abel para sacrificar a carne (a vontade própria, o desejo de vingança, a ira). É preciso entregar a Deus os instintos naturais em holocauto, pedir ao Senhor que Ele abençoe quem se comporta com inimizade contra nós. Ao orar em favor de quem nos persegue, ao bendizer quem nos maldiz, nós estamos nos armando com armas espirituais. E se tomamos posse dessas armas não temos como perder a batalha.

Parece insanidade a estratégia de guerra lá dos céus. Observando com os olhos naturais, a atitude correta é sempre atacar para se defender, mas Deus pede aos cristãos para responder o mal fazendo o bem.

"Porque as armas da nossa milícia não são carnais, mas sim poderosas em Deus para destruição das fortalezas" - 2 Coríntios 10.4.

"No demais, irmãos meus, fortalecei-vos no Senhor e na força do seu poder. Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para que possais estar firmes contra as astutas ciladas do diabo. Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais. Portanto, tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau e, havendo feito tudo, ficar firmes. Estai, pois, firmes, tendo cingidos os vossos lombos com a verdade, e vestida a couraça da justiça; e calçados os pés na preparação do evangelho da paz; tomando sobretudo o escudo da fé, com o qual podereis apagar todos os dardos inflamados do maligno. Tomai também o capacete da salvação, e a espada do Espírito, que é a palavra de Deus; orando em todo o tempo com toda a oração e súplica no Espírito, e vigiando nisto com toda a perseverança e súplica por todos os santos" -   Efésios 6.10-18.

Quando somos alvos de alguma espécie de perseguição, podemos escolher entre o bem e a vontade de Deus ou a prática do mal, que é pecado. Nem todos agem com a intenção de Caim, mas todos estão sujeitos a experimentar a tentação de Caim. Deus viu que era tentado e deixou-lhe um alerta: escolha fazer o bem porque o pecado está por perto, quer entrar e dominar, domine-o!"

A saída é o perdão, que se não resolver a relação entre pessoas, sempre resolve a comunhão com Deus. Analise o trecho bíblico de Mateus 5.23-25. O Senhor comenta sobre uma situação conflituosa, mas não observa quem está certo ou errado na "briga", apenas recomenda a pacificação. Portanto, sobre perdão, nosso Deus sempre acolhe quem tem interesse na reconciliação com o próximo, sem marcar posição de quem realmente errou. Antes de entregar a oferta (prestar culto), a recomendação é consertar relações de conflito, pedir perdão, mesmo que você seja a pessoa ofendida e não a ofensora.

Empunhando armas espirituais, as fileiras de derrotados nessa luta são: a própria carne, a carne de quem deseja o nosso mal, o próprio diabo, que instiga desavenças entre irmãos. É preciso consertar relacionamentos fragmentados.

"Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus" - Mateus 5.9.

"Ora, o fruto da justiça semeia-se na paz, para os que exercitam a paz" - Tiago 3.18.

E.A.G.

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