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sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Médicos criam grupo para reduzir mortes na UTI do Clériston


Por Lana Mattos


Uma reunião entre médicos, diretoria e todas as coordenações do Hospital Geral Clériston Andrade (HGCA), no último dia 26, deu início à implantação do “Protocolo de Ação Contra Sepse” na instituição. O principal objetivo é estabelecer uma padronização no atendimento, reduzindo as mortes.

A iniciativa é de um grupo de médicos que ali trabalham e que participaram do “Congresso Brasileiro de Terapia Intensiva” em Goiânia, em novembro. São eles: Renata Nunes, Estefânio Neto, Patrick Harisson, Ricardo Peixoto, Rosane Coutinho e Lúcio Couto. A principal motivação foi a apresentação de Flávia Machado, vice-presidente do Instituto Latino Americano de Sepse (ILAS) no evento, sobre o Protocolo e seus resultados.

Foi criada a comissão de execução do projeto, liderada pelo diretor geral do HGCA, José Carlos Pitangueira e coordenada por Lúcio Couto de Oliveira Júnior, coordenador médico das Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) do Hospital. O Protocolo deve levar 18 meses para ser completamente instaurado, sendo realizado em três etapas: adequação da estrutura e de processos de trabalho nos setores, educação continuada com capacitação da equipe, seguida de coleta e análise de dados. Lúcio Couto explica que “apesar de demorar um pouco, esse processo deixa resultados duradouros”.

Conforme Couto “analisando o histórico da UTI do hospital, encontramos dados próximos dos citados em estudo realizado em todo o Brasil pelo ILAS, com mortalidade em torno de 55%”. É um número muito alto se comparado a países desenvolvidos, com mortalidade em torno de 25%.

O que é Sepse?

Antes conhecida como septicemia ou infecção generalizada, a sepse é uma inflamação generalizada do próprio organismo contra uma infecção que pode estar localizada em qualquer órgão. Essa inflamação pode levar à parada de funcionamento de um ou mais órgãos, com risco de morte quando não tratada rapidamente.

Qualquer tipo de infecção pode evoluir para sepse. As mais comuns são: pneumonia, infecções na barriga e urinárias. O tratamento rápido da infecção é uma forma de prevenção, pois, quanto menos tempo com ela, menor a chance de surgir sepse. A pior complicação da sepse é chamada de choque séptico, o qual leva a uma grave alteração no transporte e consumo de oxigênio para os órgãos, tecidos e células, podendo desencadear a morte.

Muitos casos poderiam ser prevenidos por meio da adoção disseminada de boa higiene geral e lavagem das mãos, partos em condições adequadas de higiene e por meio de melhorias sanitárias e nutricionais, especialmente para crianças abaixo dos cinco anos de idade; fornecimento de água limpa em áreas carentes de recursos e programas de vacinação para populações de pacientes em risco.

O tratamento é “uma corrida contra o tempo pela vida”, define Couto. Devem-se colher as culturas (amostras de sangue, urina etc.) e iniciar o uso do antibiótico antes da primeira hora. O retardo do início do antibiótico aumenta em 7% a mortalidade por hora.

O Brasil tem uma das mais altas taxas de mortalidade do mundo pela doença: 400 mil novos casos são diagnosticados e 240 mil pessoas morrem por ano. Segundo um levantamento feito pelo estudo mundial conhecido como Progress, a mortalidade da sepse no Brasil é maior que a de países como Índia e Argentina.

“Mais da metade das vezes em que a pessoa usa antibiótico ‘por conta própria’, como uma amoxicilina para dor de garganta, ela não precisa daquele antibiótico”, declara Couto. Ele conta que “o uso indevido, através de automedicação, de qualquer antibiótico pode induzir resistência bacteriana”, pois “quando se usa um antibiótico sem necessidade, as bactérias que existem em nosso organismo são ‘apresentadas’ àquele antibiótico e ficam mais fortes contra ele”. Quando seu uso for realmente necessário, pode não fazer mais efeito, “gerando a necessidade de antibióticos cada vez mais fortes e correndo o risco de infecções cada vez mais graves, podendo evoluir para sepse, choque séptico e morte”, ensina.

Lúcio Couto coordena o Protocolo Contra Sepse no HGCA

Camila Fernandes, uma sobrevivente

Camila Fernandes de Oliveira foi atropelada enquanto andava de bicicleta. “O quadro era grave, eu já caí em coma, eles só continuaram induzindo para que eu não acordasse porque, devido à quantidade de traumas, eu sofreria muito. Minha cabeça quebrou em sete lugares”, ela relata.

Durante o período de internação no HGCA, de 25 de junho a 25 de agosto do ano passado, ela adquiriu uma pneumonia e teve choque séptico. Respirava por aparelhos. Sua mãe, que é evangélica, “foi a única pessoa das que conversaram com os médicos que acreditou que eu fosse sobreviver, por que todos disseram que eu ia morrer e que, se por acaso sobrevivesse, ia vegetar”. Segundo ela, os médicos diziam que “não havia possibilidade de eu sobreviver, já que meu cérebro tinha virado uma sopa!”.

Mas, surpreendentemente, ela está viva e sem sequelas graves. “Eu atribuo minha sobrevivência ao fato de que eu era atleta [além de pedalar, Camila fazia musculação] e por mais fragilizada que eu estivesse no momento, a saúde dos meus órgãos era boa. Contra os mais céticos, devo dizer que acredito que as muitas orações que fizeram para que eu sobrevivesse ajudaram de alguma forma”, declara.

Camila fez fisioterapia e ficou com problema de memória. Mas a artista de 24 anos, que se apresentava em barzinho está voltando a aprender a cantar e tocar violão.

Camila é uma sobrevivente do choque séptico

Tribuna Feirense

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